segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Dwaraka, a cidade de ouro de Krishna, foi encontrada

Dwaraka é uma das sete cidades sagradas da Índia Antiga. As outras são: Ayodhya (a capital do império de Rama, citada no Ramayana), Mathura, Haridwar, Benares, Kanchipuran e Ujjain.

A grandiosidade e beleza de Dwaraka têm sido descrita por muitos cronistas. A cidade é mencionada como ‘Cidade Dourada’ no Srimad Bhagavatam, no Skanda Purana, no Vishnu Purana e também no Mahabarata. Dwaraka, conhecida por ser a capital do Reino de Krishna (ele viveu aproximadamente em 3.100 a.C.), não foi e nem é uma lenda; antes, ela é bastante real.

A região da costa oeste da Índia, em Gujarat, onde Krishna estabeleceu a dinastia dos Yadavas, era uma costa repleta de frutos e flores. Ali, Krishna resolveu construir uma nova cidade e chamou-a Dvaravati. Uma sociedade progressista viveu na região. Era uma cidade bem planejada e tecnologicamente avançada, um porto movimentado de onde entravam e saíam grandes navios.

Dwaraka ou Dvaraka (sânscrito: “uma porta ou uma porta de entrada”, também conhecida como Dvaravati, “a cidade de muitas portas”) é a capital dos Yadavas que governaram o reino de Anarta. A cidade estava situada no ponto mais ocidental de Gujarat , e foi submersa pelo mar de acordo com a narrativa do volume 16 do épico Mahabharata. 

Dwaraka é a cidade sagrada onde o Senhor Krishna, a Suprema
Personalidade de Deus, passou a maior parte de seu tempo durante
sua aparição na terra há cinco mil anos. Em Vrindavan, o Senhor
Krishna viveu como um menino vaqueiro simples,
mas na Dwarka Ele vivia como um príncipe rico.
Dwaraka é uma das cidades mais sagradas na Índia antiga e uma das quatro principais “dhams”, juntamente com Badrinath, Puri, Rameshwaram. Dwaraka era uma cidade-estado que se estendia até Sankhodhara (Bet Dwaraka) para o norte e Okhamadhi para o sul.

Descrição

Dwaraka também era conhecida como Dwaravati. Foi também uma cidade-porto, que tinha relações comerciais com muitos outros países com saída para o mar. Pode ser que este antigo porto da cidade tenha sido uma porta de entrada para navegadores de reinos estrangeiros para o continente indiano e vice-versa. O território de Dwaraka inclui a Ilha Dwaraka, muitas ilhas vizinhas, como  Antar Dwipa e área continental vizinha ao reino de Anarta. 

O reino estava situado aproximadamente na região noroeste do estado de Gujarat. Sua capital era Dwaravati (perto de Dwarka, Gujarat). O Mahabharata não menciona Dwaraka como um reino, mas sim como a capital do reino dos Yadavas que governaram o reino de Anarta.

A cidade foi fundada por um clã de chefes dos Yadavas que fugiram do reino de Surasena por medo do rei Jarasandha de Magadha. Dwaraka foi uma federação de muitas cidades, em vez de um reino sob um único rei. Dentro da Federação de Dwaraka estavam incluídos os estados de Andhakas, Vrishnis e Bhojas. Os Yadavas dominantes em Dwaraka também eram conhecidos como Dasarhas e Madhus .

Proeminentes  chefes do clã dos Yadavas residentes em Dwaraka incluíam os heróis Krishna, Balarama, Satyaki,  Kritavarma, Uddhava, Akrura  e  Ugrasena.

Krishna e sua consorte Radharani

A antiga cidade de Dwaraka

A antiga cidade de Dwaraka, situada na costa do extremo oeste do território indiano, ocupa um lugar importante na história cultural e religiosa da Índia. O planejamento arquitetônico fabuloso do templo Dwarka tem atraído turistas de todo o mundo. A cidade tem associação com o Senhor Krishna, que se acredita te-la fundado com a recuperação de 12 terras yojana do mar. Durante seu passado glorioso, Dwarka foi uma cidade de belos jardins, fossos profundos, toda murada com várias portas de acesso, várias lagoas e palácios, mas acredita-se que tenha sido submersa logo após o desaparecimento de Lord Krishna da face da Terra.

Historicidade de Dwarka

Devido à sua importância histórica e associação com o grande épico indiano Mahabharata, a região de Dwarka continua a atrair arqueólogos e historiadores, além de cientistas. Antigas palavras em sânscrito como Pattana e Dronimukha têm sido geralmente utilizadas para descrever cidades portuárias costeiras onde os navios e barcos nacionais e internacionais aportavam em busca de cargas e abrigo. A referência mais antiga ao porto Agade vem do texto mesopotâmico que menciona que os barcos de Meluhha costumavam ser ancorados no porto de Agade, em citação datável de meados do terceiro milênio a.C. 

Escavações arqueológicas trouxeram à luz um pontão em Kuntasi em Gujarat que remonta ao período histórico de Harappa(*). Da mesma forma, as escavações revelaram um estaleiro e algumas âncoras de pedra em Lothal, outro site do tempo e época da civilização de Harappa. Há várias referências literárias que citam portos em muitas zonas costeiras durante o período histórico mais cedo (2500-1500 anos a.C.), mas vestígios arqueológicos desses antigos portos são escassos. A maioria dos assentamentos estão situadas, quer nas margens dos rios ou nas margens de lagoas, que teriam servido como um excelente porto natural.

(*) n.t. Harappa ou Harappá era uma das cidades – e é um dos sítios arqueológicos – da antiga civilização harappeana, também chamada de ‘civilização do Vale do rio Indus‘ – hoje situada no Paquistão. Esta civilização floresceu quando o equinócio vernal do hemisfério norte ocorria na constelação do Touro – em torno de 4.000 a.C. – Foi esquecida por milênios, e sua existência veio à luz com escavações feitas em 1920.

Esses portos se situavam em locais altamente vulneráveis a inundações e outros desastres naturais, e portanto, não é de se estranhar que apenas escassas evidencias de sua existência foram descobertas. Escavações em Poompuhar trouxeram à luz um cais situado na margem do antigo curso do rio Kaveri. 

Da mesma forma, escavações onshore na ilha Elefanta rendeu a descoberta de ruínas de um cais antigo que remonta aos séculos iniciais da Era Cristã. Há evidências que sugerem que o atual quebra mar (molhes), o antigo cais da hoje Dwarka tem sido utilizado como um porto desde o período histórico inicial, há cerca de 6 mil atrás.

harappa

Representação de como seria uma das portas de acesso à cidade de Harappa, no Vale do rio Indus, hoje no Paquistão.

Representação de como seria uma das portas de acesso à cidade de
Harappa, no Vale do rio Indus, hoje no Paquistão.
No início dos anos oitenta do século passado, um importante sítio arqueológico foi localizado e desenterrado em Dwaraka, o site da lendária cidade de Krishna, descrita nos versos do épico Mahabharata. A antiga cidade de Dwaraka foi submersa pelo mar logo após o desaparecimento de Shri Krishna. Esta inscrição refere-se a Dwaraka como a capital da costa ocidental da Saurashtra e ainda mais importante, afirma que Krishna viveu ali. 

A descoberta da lendária cidade de Dwaraka, é um marco importante na história da Índia. Esse fato estabelecido serve para eliminar as dúvidas expressas por historiadores sobre a historicidade do Mahabharata e a própria existência da cidade de Dwaraka. Também reduziu muito a diferença na história da Índia, estabelecendo a continuidade da civilização indiana da antiguíssima Idade Védica até os dias atuais.

Agora recentes evidências arqueológicas vieram à tona para provar além de qualquer dúvida razoável a existência da cidade histórica de Krishna, Dwaraka, e lançar luz sobre a vida das pessoas que habitavam a “Cidade de Ouro”. Esta é a terra sagrada, a cidade sobre a qual o Senhor Krishna governou. Gujarat remonta aos tempos pré-históricos, aqui existe um dos três maiores sitios arqueológicos de dinossauros do mundo, que incluem ovos petrificados que datam de 65 milhões anos. Mas além do interesse nesse Jurassic Park, não obstante, para os hindus devotos, Gujarat está intimamente ligado com uma das histórias mais duradouras da Índia, a encarnação do avatar – Senhor Krishna.

Escavações em Dwaraka, que começaram em 1981, ajudaram a adicionar credibilidade à história de Krishna e da guerra de Kurukshetra narrada no Mahabharata (Baghavad Gita), bem como fornecer ampla evidência das sociedades avançadas que viviam nessas áreas dos assentamentos harappeanos que representam algumas das maiores cidades da maior civilização do mundo antigo. 

Um dos primeiros postos arqueológicos a ser escavado, logo após a independência foi no distrito de Ahmedabad. As evidências sugerem que esses colonos trouxeram com eles uma cultura altamente desenvolvida, que era rica e não apenas nas artes, mas nas ciências também. A ênfase estava em uma sociedade bem organizada com base no comércio que era realizado através de seus portos.

Escavações recentes das ruínas submersas de Dwaraka

Escavações recentes das ruínas submersas de Dwaraka

Dwaraka, por exemplo era uma cidade bem planejada, o seu porto consistia em um cume rochoso modificado em um ancoradouro para atracação de embarcações, uma característica única em tecnologia portuária que estava em uso antes mesmo de os fenícios tentarem fazer o mesmo no mar Mediterrâneo, só que muito mais tarde. 

Os buracos feitos pelo homem no cume e as grandes âncoras de pedra lá existentes sugerem que grandes navios costumavam ancorar no porto, enquanto barcos menores realizavam o transporte de homens e de cargas até o rio.

A fundação de pedras em que as muralhas da cidade foram erguidas prova que o terreno foi recuperado do mar há cerca de 3.600 anos atrás. O Mahabharata tem referências a essa atividade de recuperação de terras do mar em Dwaraka. As Sete ilhas mencionadas na obra foram também descobertas submersas no Mar da Arábia. Peças de cerâmica, cuja datação foi confirmada por testes de termoluminescência indicam 3.528 anos de idade e contem inscrições do final do período da civilização do Vale do rio Indus (Harappa); estacas de ferro e  três âncoras triangulares  furadas descobertas no local são também artefatos mencionados no Mahabharata. 

Entre os muitos objetos descobertos que demonstram e comprovam ainda mais a conexão de Dwaraka com o épico do Mahabharata é um selo gravado com a imagem de um animal de três cabeças. O épico menciona que tal selo foi dado aos cidadãos de Dwaraka como prova de identidade, quando a cidade foi ameaçada pelo rei Jarasandha do poderoso reino Magadh. O Dr Rao, do Instituto Nacional de Oceanografia da Índia, que foi fundamental para a realização de grande parte das escavações subaquáticas, diz:

“Os resultados das pesquisas em Dwaraka e as evidências arqueológicas encontradas são consideradas compatíveis com a tradição do Mahabharata e removem a  persistente dúvida sobre a historicidade do Mahabharata, diríamos definitivamente que Krishna realmente existiu.“

Reprodução da costa de Dwaraka

Essas evidências provam além de qualquer dúvida que Kusasthali, um assentamento pré-Dwaraka existia (hoje uma ilha) em Bet Dwaraka. Os arqueólogos concluíram que esta primeira ocupação de Kusasthali foi fortificada e aconteceu durante o período histórico do Mahabharata e foi nomeado como Dwaraka.

Depois de perceber que os terraços eram estreitos, e não eram suficientes para o aumento da população, uma nova cidade foi construída alguns anos mais tarde, na foz do rio Gomati. Esta planejada cidade portuária também foi chamada como Dwaraka, acrescentando ainda mais credibilidade ao fato de que a história do Mahabharata não era um mito, mas uma fonte importante de fatos históricos da Índia. 

A PERSONALIDADE DE SRI KRISHNA

Shri Krishna é mais conhecido na história cultural e religiosa da Índia como o Rei e Imperador de Dwaraka. De acordo com textos hindus antigos, a cidade era um novo reino fundado pelo clã de chefes Yadavas que fugiram do reino de Surasena devido ao medo do rei Jarasandha de Magadha. 

Shri Krishna teria nascido à meia-noite de uma sexta-feira, do dia 27 de julho de 3.112 a.C., conforme a data e hora calculado por astrônomos na base das posições planetárias nesse dia registrados por Vyasa.

Shri Krishna – o protetor de Mathura, o senhor de Dwaraka e recitador do Bhagavad Gita no campo de batalha de Kurukshetra é uma das lendas mais duradouras de Bharata (como a Índia era conhecida nos tempos de Krishna). São entidades históricas reais Krishna e a cidade de Dwaraka? Para a maioria dos hindus, a resposta é um inequívoco sim. Alguns arqueólogos e historiadores também estão agora dispostos a aceitar que a fé do homem comum hindu tem uma base na mais completa realidade.

A localização da cidade de Dwaraka

Sri Krishna é uma personalidade imponente e é difícil separar o aspecto humano de sua vida a partir do divino no conceito sobre Krishna. Ele é um grande mistério e todo mundo já tentou entendê-lo à sua maneira, de acordo com a sua luz ou visão espiritual. Como um guerreiro ele não teve rival, como um estadista foi o mais astuto, como um pensador social foi muito liberal, como professor foi o mais eloquente, nunca falhando com um amigo e como um chefe de família foi o mais ideal.

A IMPORTÂNCIA DO PATRIMÔNIO

Dwaraka tem uma importância especial como um dos principais lugares de peregrinação da cultura hindu, conhecida como a capital do Reino de Sri Krishna. Também foi descrita como a terra do caçador Ekalavya. Dronacarya também tinha vivido aqui. Krishna decidiu construir uma nova cidade ali e colocou sua fundação num momento auspicioso. Ele nomeou a nova cidade como Dwaravati. Muito mais tarde o poeta Magha em sua obra Sisupalavadha Sarga,  nos versos 31 em diante, descreve a cidade de Dwaraka, o Sloka 33 pode ser traduzido:

“O brilho amarelo do forte de ouro da cidade do mar jogando uma luz amarela por todo o espaço adjacente parecia como se as chamas da vadavagni saísse rasgando em pedaços ao mar.”

Antes da lendária cidade de Dwaraka ter sido descoberta alguns estudiosos (n.t. sempre os “eruditos”…) eram da opinião de que as histórias contadas no épico Mahabharata seriam apenas um mito, que seria inútil para procurar os restos de Dwaraka mesmo no mar. Outros sustentam que a batalha de Kurukshetra descrita no Mahabharata teria sido apenas uma briga de família exagerada em uma guerra. 

Mas escavações feitas por Dr. S.R. Rao em Dwaraka provam que as descrições como encontradas nesses textos não devem ser descartadas apenas como mitos fantasiosos, mas devem ser tratados como fatos que aconteceram baseados em realidades históricas como pode ser visto pelos seus autores. A arquitetura da antiga cidade de Dwaraka, é majestosa e maravilhosa.

Dwaraka no continente, foi um dos portos mais movimentados do período histórico do Mahabharata e teve um fim repentino devido à fúria do mar. Após a guerra descrita no Mahabharata, Krishna viveu durante 36 anos em Dwaraka. No final desse período, os Vrishnis, Bhojas e Satvatas se destruíram em uma briga fratricida no Prabhasa mas Krishna não interferiu para salvá-los. 

Os atos de destruição vistos por Sri Krishna, que aconselhou a evacuação imediata de Dwaraka esta indicado no Bhagavata Purana. A bela Dwaraka foi então abandonada por Hari (Krishna) para ser engolida pelo mar. A submersão teve lugar imediatamente após a partida de Sri Krishna do nosso mundo.

A CONSTRUÇÃO DE DWARAKA

Descrições interessantes sobre a sua construção são encontrados nos Puranas:

Temendo ataque de Jarasangh e Kaalayvan em Mathura, Sri Krishna e os Yadavas deixou Mathura e chegou à costa de Saurashtra. Eles decidiram construir sua nova capital na região costeira e invocar o Vishwakarma a divindade das construções. No entanto, Vishwakarma disse que a tarefa somente poderia ser concluída se Samudradeva, o Senhor do mar fornecesse alguma terra. Sri Krishna adorou a Samudradeva, que ficou satisfeito e deu-lhes novas terras emersas do fundo do oceano medindo 12 yojans para o Senhor Vishwakarma construir Dwaraka, uma “cidade dourada”.

KRISHNA_DWARAKA



Esta bela cidade também era conhecido como Dwaramati, Dwarawati e Kushsthali. Outra história diz que, no momento da morte de Sri Krishna, que foi atingido pela flecha de um caçador perto de Somnath em Bhalka Tirth, Dwaraka desapareceu afundando no mar.

A importância da descoberta de Dwaraka não reside apenas no fornecimento de evidências arqueológicas necessários para corroborar o relato tradicional da submersão da Dwaraka mas também indiretamente, que determina a data do épico do Mahabharata, que é um marco na história da Índia. Assim, os resultados provaram que a história do Mahabharata quanto à existência de uma linda cidade capital de Dwaraka de Sri Krishna não era um mero produto da imaginação, mas que de fato ela existiu. A Guerra descrita no Mahabharata ocorreu em 22 de novembro de 3.067 aC e o Bhagavad Gita foi compilado por volta de 500 a.C.

A SUBMERSÃO DE DWARAKA

Depois que Sri Krishna partiu da Terra de volta para a sua morada celestial, e os principais cabeças Yadavas foram mortos em lutas entre si;  Arjuna foi para Dwaraka para buscar os netos de Krishna e as esposas Yadava e lavá-los para Hastinapur. Após Arjuna sair de Dwaraka, a cidade foi submersa no fundo do mar. Este é o relato de Arjuna, constante no Mahabharata:

“O mar, que sempre esteve batendo nas costas de Dwaraka, de repente quebrou o limite que lhe foi imposto pela natureza. Suas águas correram as ruas invadindo a cidade. Ele percorreu todas as ruas da bela cidade. O mar encobriu tudo na cidade. … Eu vi os belos edifícios ficando submersos um por um. Em questão de alguns momentos foi tudo soterrado pelo mar, que se tornou tão plácido como um lago. Não havia mais nenhum traço da cidade de Dwaraka, agora ela era apenas um nome; apenas uma lembrança”.

Templo na atual Dwarka com cerca de 5000 anos de idade.

A cidade associada com Sri Krishna, que a teria fundado com a recuperação de 12 yojanas de terras ao mar. Durante seu passado glorioso, Dwaraka foi uma cidade de belos jardins, fossos profundos, e várias lagoas e palácios (Vishnu Purana), mas acredita-se que tenha submersa logo após o desaparecimento de Sri Krishna.

Devido à sua importância histórica e associação com o Mahabharata, Dwaraka continua a atrair os arqueólogos e historiadores, além de cientistas.

“O néscio pode associar-se a um sábio toda a sua vida, mas percebe tão pouco da verdade como a colher do gosto da sopa. O homem inteligente pode associar-se a um sábio por um minuto, e perceber tanto da verdade quanto o paladar sabe do sabor da sopa”. -Textos Budistas

Fonte: link


quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Arqueólogos encontram túmulos bem elaborados em cemitério anglo-saxão do século 5

Arqueólogos trabalhando no leste da Inglaterra descobriram um cemitério anglo-saxão antes desconhecido que data de aproximadamente 1.600 anos. Pelo menos 20 túmulos foram descobertos, incluindo vários sepultamentos luxuosos de mulheres.

As sepulturas foram descobertas em um sítio arqueológico em Lincolnshire Wolds, uma vasta gama de colinas pitorescas e vales 230 quilômetros ao norte de Londres, na Inglaterra. As sepulturas, das quais existem pelo menos 20, datam do final do século 5 à metade do século 6, de acordo com um comunicado da Universidade de Sheffield.


Broche encontrado no cemitério
anglo-saxão. Imagem:
Universidade de Sheffield

Os primeiros sinais de que algo de importância arqueológica estava localizado no sítio apareceram quando um detector de metais local descobriu uma série de artefatos anglo-saxões, como pontas de lança, partes de escudos de ferro e broches de cobre dourado.

Uma equipe arqueológica liderada por Hugh Willmott e Katie Hemer, da Universidade de Sheffield, chegou para investigar mais a fundo. Juntou-se a eles Adam Daubney, oficial de ligação de descobertas do condado de Lincolnshire do programa Portable Antiquities Scheme.

Os pesquisadores disseram que praticamente todas as sepulturas incluíam uma “rica variedade de objetos”, consistentes com os costumes fúnebres vistos no leste da Inglaterra durante os primeiros séculos após as migrações germânicas.

Um dos aspectos mais interessantes dos túmulos foi a “proporção significativa de enterros muito luxuosos” associados com as mulheres enterradas nas colinas de Lincolnshire Wolds.

“Essas mulheres usavam colares feitos às vezes de centenas de contas de âmbar, vidro e quartzo e itens pessoais como pinças, carregavam bolsas de tecido abertas por anéis de marfim de elefante e usavam broches belamente decorados para prender suas roupas”, disse Willmott em um comunicado de imprensa. “Duas mulheres até receberam anéis de prata e uma espécie de fivela de prata normalmente associada a comunidades jutas em Kent. Sepultamentos mobiliados pertencentes a homens também foram identificados, incluindo uma série de indivíduos enterrados com armas como lanças e escudos.”

Os anéis de marfim de elefante vieram da África subsaariana, mas, no contexto da época, “podem também ter vindo da lua”, disse Willmott ao Guardian.

Talvez estranhamente, túmulos de crianças estavam visivelmente ausentes no cemitério, que, reconhecidamente, só foi parcialmente escavado até agora. Dito isso, um dos enterros mais dramáticos foi o de uma “mulher ricamente vestida”, enterrada com “um bebê embalado em seu braço esquerdo”, afirmou Willmott.


Esqueleto feminino descoberto no cemitério
anglo-saxão. Imagem: Universidade de Sheffield

O cemitério recém-descoberto agora apresenta aos arqueólogos uma oportunidade notável de descobrir mais sobre as primeiras comunidades anglo-saxônicas do leste da Inglaterra. Para esse fim, os restos humanos deverão passar por análise em um laboratório da Universidade de Sheffield. Exames físicos completos dos esqueletos são esperados, assim como uma análise isotópica de dentes e ossos para determinar de onde esses indivíduos vieram e o que eles comiam.

Naturalmente, a análise também se estenderá aos artefatos, incluindo as contas de âmbar. Os arqueólogos “analisarão a composição elementar do metal e identificarão a espécie de elefante que produziu os anéis de marfim”, explicou Hemer no comunicado.

As investigações no sítio arqueológico ainda estão em andamentos, então devemos esperar mais informações sobre esse cemitério anglo-saxão no futuro. No entanto, uma coisa está clara: esses antigos ingleses reverenciavam seus mortos, enterrando-os com o que eram claramente artefatos raros e muito preciosos.



sexta-feira, 7 de julho de 2017

Arqueólogos descobrem ‘Túmulo de Gigantes’ na China

Pesquisadores na China descobriram restos de esqueletos de um grupo incomumente alto de indivíduos que viveram na província de Shandong, na China, há cerca de cinco mil anos. Com alguns deles alcançando alturas bem acima de 1,82 metro, esses humanos neolíticos eram um sinal do que viria pela frente.

Como relatado no Xinhua, uma escavação arqueológica na vila de Jiaojia, no distrito Zhangqiu, da Cidade de Jinan, levou à descoberta de 104 casas, 205 túmulos e 20 buracos de sacrifício. Cerâmica e vários itens de jade também foram encontrados. O local do fim do Neolítico data de um tempo em que o Vale do Rio Amarelo era habitado pela Cultura Longshan, também conhecida como Cultura da Cerâmica Negra, que prosperou na área de cerca de 3000 a 1900 a.C. A escavação arqueológica, que começou no ano passado, está sendo liderada pela Universidade de Shandong.

Significativamente, uma análise dos restos de esqueletos encontrados nesse local sugere que essas pessoas antigas eram extravagantemente altas, com muitos indivíduos medindo acima de 1,80 metro, relata Xinhua. Embora o estudo não relate quantos indivíduos foram escavados ou sua divisão de gênero, o mais alto, um homem, media 1,90 metro. Para seus vizinhos contemporâneos, o povo Longshan provavelmente parecia feito de gigantes (os homens médios do Neolítico tinham cerca de 1,65 metro, e as mulheres, 1,54 metro, de acordo com um estudo).


Sua altura incomum era provavelmente consequência tanto da genética quanto do ambiente. Aliás, a altura segue sendo uma característica definidora de pessoas vivendo na província atualmente. Em 2015, a média de altura de um homem de 18 anos em Shandong era de 1,75 metro, cinco centímetros a mais que a média nacional.



Mas para o povo Longshan, o ambiente pode ter tido um papel igualmente importante. Como explicou o arqueólogo Fang Hui ao Xinhua, essa civilização do fim do Neolítico participava de atividades de agricultura, então os aldeões tinham acesso a uma gama diversa de comidas nutritivas. O milheto era uma grande safra na época, e porcos eram um gado importante. Essa dieta estável, disse Hui, teve um efeito em suas proporções físicas, incluindo a altura. De modo interessante, os homens mais altos dos Longshan foram encontrados em tumbas, algo que os arqueólogos de Shandong atribuíram a um maior status social e ao acesso a melhor comida.


Como apontado, maioria dos humanos pré-históricos eram pequenos em comparação com o povo Longshan, tendo menos acesso a uma dieta balanceada, um menor fluxo de comidas nutritivas e possivelmente tendo que viver em condições ambientais duras. O povo maia, por exemplo, estava entre os menores dos humanos pré-históricos, com o homem tendo uma altura média de 1,57 metro, e a mulher, de 1,42 metro.

Mas a altura pode ter aparecido como um traço genético vantajoso entre certas populações muito antes do Neolítico e do povo Longshan. Um estudo recente da Universidade Masaryk, na Tchéquia, propôs que os genes para altura elevada apareceram entre os gravetianos — um bando de caçadores-coletores que viveram no Sul da Itália de 50.000 a 10.000 anos atrás. Esses europeus do Paleolítico Superior, cujo mais alto tinha 1,77 metro, eram caçadores de mamute, o que pode ter tido algo a ver com sua altura.

“Suspeito que essa especialização associada com um excedente de proteínas de alta qualidade e uma baixa densidade populacional tenha criado condições ambientais levando à seleção dos machos excepcionalmente altos”, disse o autor principal do estudo, Pavel Grasgruber, em entrevista ao Seeker.

Isso pode explicar por que europeus dos Alpes Dinaricos (albaneses e eslavos do sul, particularmente), geneticamente relacionados aos gravetianos, são tão altos até hoje. Mas a boa estatura não é exclusiva dos europeus; outros humanos incomumente altos incluem os khampas tibetanos e o povo nilótico, do Sudão.

Determinar por que certos grupos de pessoas são menores ou maiores que outros segue uma ciência inexata, que depende de muitas variáveis. Entramos em contato com vários especialistas para ouvir sua opinião sobre o assunto e vamos atualizar se tivermos alguma resposta interessante. Talvez nunca saibamos por que o povo Longshan era tão alto, mas, considerando que os humanos nunca foram tão altos quanto são hoje, esse povo antigo era certamente um sinal dos tempos.

Fonte: IBTimes



sábado, 17 de junho de 2017

Arqueólogos descobrem mensagem secreta em cerâmica dos tempos bíblicos

Uma equipe de arqueólogos israelenses descobriu uma mensagem enigmática deixada em um fragmento de cerâmica de 3.000 anos de idade. A peça de cerâmica com tinta em argila, chamada de óstraco, foi originalmente descoberta na década de 1960, em Tel Arad, a oeste do Mar Morto. Agora, usando uma nova tecnologia de imagem multiespectral, pesquisadores da Universidade de Tel Aviv conseguiram iluminar um texto que se escondeu no óstraco por todos esses anos.

Milhares de anos atrás, Tel Arad era um posto avançado militar, então faz sentido que a “frente” desse óstraco em particular detalhe finanças militares. A parte de trás, no entanto, parecia vazia. Mas após revisitar o óstraco com técnicas experimentais de imagem multiespectral, a equipe da Universidade de Tel Aviv conseguiu mostrar que o lado reverso está repleto de texto — e, como todas as boas mensagens, se tratava de vinho.

“A nova inscrição começa com um pedido por vinho, além de uma garantia para assistência caso o destinatário tenha qualquer pedido próprio”, disse Arie Shaus, coautor do estudo e membro do departamento de matemática aplicada da Universidade de Tel Aviv, em entrevista ao Breaking Israel News. “[A mensagem] Conclui com um pedido de fornecimento de uma determinada mercadoria para uma pessoa não nomeada, e um recado em relação a um ‘bato’, medida antiga de vinho, levada por um homem chamado Ge’alyahu.”



A pesquisa da equipe, que foi publicada na PLOSOne, detalha seu método singular. Eles usaram uma câmera digital Canon SLR 450D modificada e uma lente macro Tamron SP AF90mm F/2.8 Di 1:1 para fotografar o óstraco em uma câmara escura.

“O filtro de corte interno da Canon IR foi removido por Lifepixel e substituído por um vidro transparente com o mesmo índice refrativo”, escreveu o grupo. Usando uma gama de filtros, a equipe enfim conseguiu revelar a mensagem escondida.

A esperança é de que a técnica possa ser usada para ler mensagens escondidas em outros óstracos. Vai saber que fofoca boa dos tempos bíblicos a gente não deixou escapar esses anos todos?

Fonte: PLOS One



domingo, 11 de junho de 2017

Como uma máscara de cobre de 3 mil anos está reescrevendo a história da América do Sul

Uma máscara de cobre quadrada retirada de uma tumba no sul dos Andes está mudando as nossas noções de onde e quando a metalurgia sofisticada apareceu pela primeira vez na América Pré-Colombiana.

Evidências arqueológicas sugerem que a metalurgia na América Pré-Colombiana apareceu pela primeira vez nos Andes, com o Peru sendo provavelmente o seu ponto de origem. Mas, conforme um novo estudo publicado na Antiquity mostra, a descoberta de uma máscara de 3 mil anos de idade no território argentino no sul dos Andes sugere que mais de uma região esteve envolvida no desenvolvimento dessa importante tecnologia.

A máscara de cobre altamente corroída foi descoberta em 2005, em La Quebrada del valle del Cajón. Aldeões notaram a máscara saindo do chão e notificaram uma equipe de arqueólogos que estava trabalhando perto da área. Uma escavação mais tarde revelou os restos de esqueleto dispersos de 14 indivíduos em uma única cova comum. O buraco está localizado próximo ao sítio arqueológico de Bordo Marcial, que era lar de uma vibrante comunidade por volta de 1.800 a 1.900 anos atrás.


À esquerda: a cova com os restos de esqueleto. O círculo mostra onde a máscara foi encontrada. À direita: desenho do sítio (Imagem: L. I. Cortés et al., 2017/Antiquity)

O túmulo parece ter sido um tipo de tumba, apresentando uma parede de rocha e contendo um pingente e uma máscara de cobre. A máscara estava sobre os corpos, sugerindo que foi usada durante uma cerimônia de funeral. Pelo fato de alguns dos ossos estarem com manchas verdes da máscara de cobre, os arqueólogos suspeitam que ela tenha sido enterrada junto com os corpos.

Uma datação por radiocarbono estimou que os ossos eram de algum período entre 1414 e 1087 a.C. Historicamente, esse foi um momento importante para a região, conforme os povos pré-colombianos transicionaram de caçadores-coletores para precursores de assentamentos agrícolas. E, conforme a nova análise da máscara, feita por Leticia Inés Cortés e María Cristina Scattolin, da Universidade de Buenos Aires, revela, essa população, em particular, já tinha se deparado com as maravilhas do cobre.

A máscara tem 17,78 cm de altura, 15,25 cm de largura e um milímetro de espessura. Buracos foram perfurados na máscara para formar um par de olhos, um nariz e uma boca. Nove buracos circulares foram feitos nas bordas; um fio ou outro material pode ter sido usado para entrepassar esses buracos, permitindo que uma pessoa pudesse vestir a máscara. Outra alternativa é que a máscara possa ter sido parte de algo mais amplo, cujos restos ainda não foram encontrados.

A máscara em si é feita de cobre puro, com impuridades menores que 1%. A fonte do cobre bruto provavelmente veio do Valle de Hualfín, na província de Catamarca, que fica a cerca de 70 km do sítio arqueológico e que hoje tem uma grande mina de cobre. Arqueólogos dizem que a máscara foi fabricada por meio de uma técnica repetitiva em que o cobre era reaquecido e martelado a frio.

O surgimento da metalurgia, e dos trabalhos em cobre, especificamente, representa um importante marco para as civilizações antigas. Conforme os humanos começaram a fazer experimentos com metais e foram melhorando sua elaboração para servir à sua vontade, civilizações se desenvolveram com isso. Por sua vez, isso resultou no uso expandido do cobre e, mais importante, no desenvolvimento do bronze (que é um metal muito duro, feito de cobre, arsênico e estanho), que era mais adequado para armas e ferramentas.

Existe muita evidência arqueológica de trabalho inicial de metalurgia nos Andes Peruanos, uma tecnologia que, eventualmente, se espalhou para outras áreas das Américas Central e do Sul. Evidências de fundição de cobre foram descobertas na Bolívia, datando dentre 3.160 e 2.200 anos atrás, e fragmentos de cobre laminado foram encontrados em Mina Perdida, Valle del Lurín, datando de cerca de 3.000 a 3.120 anos atrás. Mas nenhum desses artefatos havia sido intencionalmente moldado em uma forma reconhecível, tampouco perfurado ou transformado em objetos tridimensionais.

A descoberta de uma máscara humana de cobre na região de Cajón sugere que essa região foi um importante ponto de origem da metalurgia de cobre, ou pelo menos um lugar em que a tecnologia surgiu independentemente. Como concluem os pesquisadores em seu estudo, essa máscara de 3 mil anos de idade “empurra para trás a linha do tempo da produção de artefatos de cobre intencionalmente moldados nos Andes”.

Fonte: Antiquity

 

Cientistas encontram bebê pássaro de 99 milhões de anos de idade quase inteiro dentro de âmbar

Este tem sido um grande ano para a descoberta de espécimes presos em âmbar, desde asas de pássaros, passando por penas de dinossauros até este inseto feioso. Mas esta nova descoberta pode ser a melhor que tivemos até agora: um bebê pássaro quase completo de 99 milhões de anos de idade, que viveu no tempo dos dinossauros. Cientistas encontraram o espécime em Mianmar, onde outros já compraram ou encontraram várias outras amostras incríveis nas minas de âmbar.

“Ver um animal tão preservado em âmbar é empolgante”, o autor do estudo, Ryan McKellar, contou. “Neste caso, temos todo o lado direito do corpo.”



Imagem: Ming Bai

O âmbar birmanês é bastante incrível. Não apenas são peças geralmente grandes e translúcidas, como também as minas no norte de Mianmar renderam muitos insetos e plantas incríveis recentemente, de acordo com a pesquisa publicada nesta quarta-feira, no periódico Gondwana Research.

Essa amostra específica preserva um bebê pássaro enantiornithe, que provavelmente estava parcialmente em sua primeira muda de penas, alguns dias ou semanas depois de chocar. A equipe analisou o pássaro com microscópios e uma microtomografia computadorizada, essencialmente um tipo especial de raio-x, para criar reconstruções em 3D. “É legal, porque preserva um estágio de crescimento muito inicial”, disse McKellar. A criatura ainda estava desenvolvendo as penas de sua cauda.



Imagem: Ming Bai

Os enantiornithes estão intimamente relacionados com os pássaros modernos. Mas, diferentemente das criaturas que fazem cocô em cima do seu carro, esse pássaro possuía dentes, garras em suas asas, um arranjo diferente de ossos em seus tornozelos e não tinha bico, disse McKellar. A amostra preserva uma estranha combinação de características, como penas de asa funcionais, mas não muitas penas no restante do corpo.

Infelizmente, embora o pássaro pareça bem legal, provavelmente não há nenhum DNA restante para fazer algum tipo de recriação maluca no estilo Jurassic Park, segundo a New Scientist. Toda a sua carne se transformou em carbono inutilizável.



Essa provavelmente não será a última ou a mais maluca amostra já encontrada em âmbar burmanês. Mas, até que a próxima apareça…

Fonte: New Scientist


Incrível descoberta mostra que Homo sapiens é 100 mil anos mais velho do que pensávamos

Os restos mortais de cinco Homo sapiens antigos foram desenterrados em um sítio no noroeste africano. Com cerca de 300 mil anos de idade, os fósseis são impressionantes 100 mil anos mais velhos do que o registro anterior, empurrando a origem da nossa espécie significativamente para trás. E, pelo fato de eles terem sido localizados em Marrocos, longe do suposto ponto de origem da nossa espécie, a descoberta também apaga as noções anteriores sobre como os humanos modernos evoluíram.

A origem da nossa espécie é envolta em mistério, dados os pobres registros fósseis e a imensa escassez de evidências genéticas. A surpreendente descoberta dos restos fossilizados dos cinco humanos primevos no sítio em Jebel Irhoud, no Marrocos — junto com evidências de ferramentas de pedra, ossos de animais e uso de fogo — acrescenta uma importante peça a esse frustrantemente incompleto quebra-cabeças arqueológico. Como essa descoberta mostra, a nossa espécie, conhecida pela nomenclatura científica Homo sapiens, existe há mais tempo do que imaginávamos — tem mil anos a mais, para sermos mais precisos. Podemos dizer agora, com certa confiança, que a espécie a que eu e você pertencemos surgiu na África cerca de 300 mil anos atrás. É concebível, é claro, que os arqueólogos possam achar espécimes mais antigos no futuro, mas, por agora, estabelecemos o mais antigo Homo sapiens.

Além do mais, a nossa espécie não se originou de uma parte isolada da África, mas através do continente inteiro. Como o coautor do estudo Jean-Jacques Hublin, do instituto Max Planck para antropologia evolucionária, explicou em uma conferência para a imprensa nesta terça-feira (6), “não existe um Jardim do Éden na África, porque o Jardim do Éden é a África”. Os primeiros hominídeos bípedes dos quais descendemos podem ter surgido no interior da África, mas as espécies que se tornaram o Homo sapiens estavam pelo continente inteiro — e no noroeste da África em particular. Essas conclusões agora aparecem em dois estudos separados, ambos publicados nesta quarta-feira (7), no periódico científico Nature. No primeiro artigo, os cientistas descrevem os fósseis encontrados no sítio; no segundo, analisam e datam as ferramentas de pedra.

Antes dessa nova descoberta, as amostras mais antigas de Homo sapiens foram desenterradas na Etiópia e datavam dentre 150 mil a 200 mil anos. Estranhamente, os neandertais e o Homo sapiens “arcaicos” (humanos imediatamente anteriores ao Homo sapiens que viveram entre 300 mil a 150 mil anos atrás) divergem de um ancestral comum cerca de 500 mil a 600 mil anos atrás. A falta de provas fósseis anteriores a 200 mil anos atrás levou alguns cientistas a teorizarem que o Homo sapiens devia ter surgido bem abruptamente, provavelmente a partir de uma espécie antecessora chamada Homo heidelbergensis (como nota, qualquer hominídeo com a palavra “Homo” na frente é considerado um humano).



Duas visões dos crânios encontrados no sítio Irhoud (Crédito: Sarah Freidline, MPI-EVA, Leipzig)

Essa nova descoberta, que mostra que uma versão mais antiga do Homo sapiens estava dando uma volta no noroeste da África cerca de 300 mil anos atrás, agora entra em embate com essa teoria do “surgimento abrupto”. Depois de divergirem de um ancestral em comum, um grupo de Homo sapiens arcaicos se espalharam pela África, gradualmente adquirindo os traços que eventualmente viriam a caracterizar a nossa espécie.

Para alcançar essa conclusão, os autores do novo estudo combinaram novas e velhas evidências fósseis. Lá na década de 1960, fósseis humanos foram encontrados no mesmo sítio em Jebel Irhoud junto com ossos animais. Os fósseis foram originalmente datados em cerca de 40 mil anos de idade, e os restos, identificados com algum tipo de neandertal africano. Insatisfeitos com essa interpretação, os pesquisadores do instituto Max Planck de antropologia evolucionária e o National Institute for Archaeology and Heritage, em Marrocos, decidiram renovar a investigação, o que envolveu novas escavações no sítio marroquino. Isso levou à descoberta de restos parciais de esqueletos de cinco indivíduos, três adultos, um adolescente e uma criança, junto com ferramentas de pedra, ossos de animais e sinais de uso de fogo. Os arqueólogos esbarraram em uma antiga caverna usada por esses humanos para processar e consumir carne animal, basicamente gazelas e zebras. E, sim, os arqueólogos originais não acharam esses cinco espécimes — mas, para sermos justos, as escavações foram todas dentro e ao redor de uma mina, que agora é uma pedreira gigante.

Usando uma técnica conhecida como termoluminescência, os pesquisadores dataram os objetos desenterrados do sítio entre 300 mil a 350 mil anos de idade e usaram as ferramentas de pedra para datar os fósseis encontrados entre esses artefatos. Agora, essa é considerada a evidência mais antiga já encontrada dos mais antigos membros da linhagem Homo sapiens.


Algumas das ferramentas da idade da pedra encontradas no sítio (Crédito: Mohammed Kamal, MPI EVA Leipzig)

Um detalhe importante é que essa descoberta altera a origem geográfica da nossa espécie para longe das partes interiores da África. Centenas de milhares de anos atrás, o Saara era cheio de florestas e vastas planícies, tornando-o possível de ser atravessado para o norte pelos hominídeos em direção ao que é o Marrocos agora. No caso desses antigos Homo sapiens, eles provavelmente estavam seguindo rebanhos de gazelas enquanto migravam pela África, evoluindo novas habilidades cognitivas no caminho — habilidades cognitivas que os permitiriam criar ferramentas mais sofisticadas e adotarem comportamentos sociais complexos. Ao se espalhar por maior parte da África, esses hominídeos adquiriram os próprios traços que viriam a definir a nossa espécie.

Curtis W. Marean, especialista em origem humana da Universidade Estadual do Arizona e que não esteve envolvido no estudo, diz que a nova descoberta é importante, mas não completamente surpreendente.

“A estimativa de idade anterior dos hominídeos de Jebel Irhoud nunca fez sentido, por dois motivos”, disse ao Gizmodo. “Primeiro, a morfologia era muito primitiva para a idade relativamente nova; e, segundo, a evidência sugeria que o Magrebe tinha sido abandonado durante um período em que era evidentemente árido. Então, essa idade mais antiga faz muito sentido. Estou feliz que essa equipe tenha resolvido esse problema.”

Marean diz que os fósseis têm muita semelhança com uma caveira distintamente parecida com a humana, chamada de crânio de Florisbad, descoberta na África do Sul em 1932. “A semelhança com esse espécime sugere que naquele tempo existia uma população panafricana que talvez fosse a mesma espécie”, afirmou. “Isso é importante para saber, mas talvez não inesperado.”



Uma mandíbula quase completa de um H. Sapiens adulto (Crédito: Jean-Jacques Hublin, MPI-EVA, Leipzig)

É importante saber que o termo “Homo sapiens” não é análogo ao termo “humanos modernos”. Os humanos antigos encontrados em Marrocos eram ligeiramente diferentes dos humanos que estão vivos hoje, mas essas diferenças não eram significativas o bastante para os pesquisadores encaixarem-nos em espécies separadas ou marcá-los como ainda mais um ramo do Homo sapiens arcaico. Ao fazer escaneamentos microcomputados dos fósseis, os pesquisadores detectaram alguns traços primitivos, como uma caixa craniana mais em baixo e menor, fortes cumes da testa e um rosto maior. Mas eles também tinham ossos malares delicados, um rosto distintivamente moderno e dentes e ossos do maxilar que eram virtualmente idênticos aos do Homo sapiens. Como Jean-Jacques Hublin apontou na conferência para a imprensa, “essas pessoas não se destacariam se você as visse na rua”.

O arqueólogo Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres e que não esteve envolvido no estudo, diz que arqueólogos e antropólogos devem adotar uma definição ampla de Homo sapiens, mas que ele próprio nem sempre se sentiu assim inclinado.

“Eu costumava defender que ‘humanos anatomicamente modernos’, incluindo fósseis que essencialmente parecem conosco hoje em dia, são o único grupo que deve ser chamado de Homo sapiens”, explicou ao Gizmodo por email. “Agora, acho que humanos anatomicamente modernos são apenas um subgrupo dentro da espécie Homo sapiens e que nós devemos reconhecer a diversidade de formas dentro dos Homo sapiens mais antigos, alguns dos quais provavelmente foram extintos.”

Realmente, muitos grupos diferentes de humanos existiam nessa época, mas foi o Homo sapiens que eventualmente prevaleceu, espalhando-se para fora da África em alguma época entre 60 mil a 70 mil anos atrás, e então se espalhando ainda mais, até Ásia, Austrália e Américas do Sul e do Norte. A nossa espécie é tudo o que restou de vários “experimentos” evolucionários de hominídeos que duraram cerca de centenas de milhares de anos ao redor da maior parte da África e, até certo ponto, da Europa.

Mas, como esses novos estudos mostram, os aspectos definitivos da nossa espécie surgiram como resultado da nossa necessidade de superarmos nossas limitações. Que humano de na nossa parte.

Fonte: Nature


terça-feira, 6 de junho de 2017

Cidade maia ‘descoberta’ por adolescente gera dúvidas entre especialistas

Boca de Fuego  Vista aérea do
sítio arqueológico de Uxmal,
em Yucatán, no México.

No dia 7 de maio, o jornal canadense Le Journal de Montréal informou que o adolescente William Gadoury, de 15 anos, havia descoberto uma nova cidade maia na Península de Yucatán, no México. Segundo o jornal, o menino estudou 22 constelações maias que aparecem no Códice Tro-Cortesiano do Museu da América de Madri (um dos três livros maias hieroglíficas conservados) e teve a iniciativa de colocá-las sobre um mapa do Google Earth. Assim percebeu que as estrelas correspondiam à localização de 117 cidades maias.

Há dois anos, esse estudante, então com 14 anos, foi convidado pela Agência Espacial do Canadá por seu projeto para estudar se as civilizações maias construíam suas cidades em correlação com a posição das estrelas. De acordo com o jornal canadense, foi ao analisar uma constelação que não estava no códice, mas em outro livro de cultura maia, que ele percebeu que tal constelação era formada por três estrelas e que no mapa do Google Earth apenas duas cidades coincidiam com os astros. Então ele pensou que deveria existir uma metrópole 118 em algum lugar de Yucatán.

No dia 7 de maio, o jornal canadense Le Journal de Montréal informou que o adolescente William Gadoury, de 15 anos, havia descoberto uma nova cidade maia na Península de Yucatán, no México. Segundo o jornal, o menino estudou 22 constelações maias que aparecem no Códice Tro-Cortesiano do Museu da América de Madri (um dos três livros maias hieroglíficas conservados) e teve a iniciativa de colocá-las sobre um mapa do Google Earth. Assim percebeu que as estrelas correspondiam à localização de 117 cidades maias.

Há dois anos, esse estudante, então com 14 anos, foi convidado pela Agência Espacial do Canadá por seu projeto para estudar se as civilizações maias construíam suas cidades em correlação com a posição das estrelas. De acordo com o jornal canadense, foi ao analisar uma constelação que não estava no códice, mas em outro livro de cultura maia, que ele percebeu que tal constelação era formada por três estrelas e que no mapa do Google Earth apenas duas cidades coincidiam com os astros. Então ele pensou que deveria existir uma metrópole 118 em algum lugar de Yucatán.

No referido artigo se menciona que o jornal teve acesso a algumas dessas imagens de satélite nas quais podem ser vistas diferentes estruturas do que poderia ser uma cidade antiga. Armand LaRocque, especialista em sensoriamento remoto da Universidade de New Brunswick, disse ao Le Journal de Montréal, que as formas geométricas que aparecem nas fotos dificilmente poderiam ser atribuídas a fenômenos naturais.

Embora Gadoury não tenha confirmado sua teoria, pois não pôde ir até o lugar, chamou a hipotética cidade perdida de K’ÁAK Chi, que significa Boca de Fuego. De acordo com suas pesquisas, o lugar pode ter uma área total que oscila entre 20 e 80 quilômetros quadrados e ter tido uma pirâmide 86 metros e 30 estruturas, o que poderia posicioná-la como a quarta cidade maia mais importante.


A posição dos arqueólogos mexicanos

Para alguns pesquisadores mexicanos e especialistas em arqueologia, a suposta descoberta de William é um exagero, uma teoria que deve ser verificada e uma especulação arriscada. “Os maias não projetavam suas cidades e nem suas paisagens orientados pelas estrelas. Eles o fizeram com base em fatores tão mundanos como fontes de água e de matérias-primas e disponibilidade de solo utilizável para o cultivo. De que eles viveriam, de olhar para o céu?”, diz numa entrevista ao EL PAÍS o professor e pesquisador do Laboratório de Zooarqueologia da Faculdade de Ciências Antropológicas da Universidade Autônoma de Yucatán.

“Existe uma grande quantidade de cidades pré-hispânicas ainda escondidas na floresta (em Campeche, Quintana Roo, Yucatán), por isso não parece estranho que o menino tinha encontrado algum lugar com ruínas ao aplicar um padrão à floresta ou às ruínas existentes. Isso tem a ver com o afluxo de contextos pré-hispânicos mais do que com alguma fórmula ancestral ou algo parecido”, explica.

Por seu lado, Héctor Hernández Álvarez, mestre em Ciências Antropológicas com especialização em Arqueologia pela Universidade Autônoma de Yucatán, acredita que a ideia não é absurda considerando a precisão das observações astronômicas dos maias. “Atualmente, as novas tecnologias de sensoriamento remoto permitem identificar assentamentos ou descobrir lugares que foram ocupados por grupos humanos no passado. O que temos de verificar é se isso realmente coincide com a ideia de que as cidades maias foram planejadas com base em um cosmograma”, detalha.

 O códice Tro-Cortesiano contém cenas
divinatórias em um contexto de ciclos
calendáricos (tzolkin e haab) e direções
do universo. Instituto Nacional de
Antropologia e História.
Rafael Cobos Palma, membro do Sistema Nacional de Pesquisadores e doutor em Antropologia pela Universidade de Tulane (Estados Unidos), acredita que o lugar onde Gadoury encontrou a estrutura está muito perto de Calakmul, Uxul e Tortuga, sítios maias situados no sul de Campeche. “Essa é uma área grande e bastante explorada desde a década de 1930 por muitos pesquisadores mexicanos e não mexicanos”, diz. “A proposta peculiar de explicar a distribuição espacial dos assentamentos maias foi feita em outras ocasiões e, claro, movendo o plano celeste pode-se chegar a encontrar um sem-número de arranjos espaciais que se assemelham ao humanamente feito em nosso planeta”.

Para Cobos, a ciência é construída com pesquisa e se o jovem quebequense quer dar a conhecer uma descoberta tão importante deve ir a campo para comprová-la. “Se descobrir a localização de sítios arqueológicos, saber a altura de seus edifícios e a área de seus assentamentos fosse uma tarefa fácil, então os arqueólogos não teriam que ir a campo e às instituições de apoio à pesquisa”, acrescenta. “O trabalho de pesquisa científica de um arqueólogo é algo sério, muito sério”.

O Instituto Nacional de Antropologia e História disse ao Verne que não pode avalizar a existência dessa cidade, nem as informações apresentadas pelo jornal canadense. Acrescentou que a teoria que propõe que os maias construíram cidades a partir de constelações foi descartada por seus arqueólogos.

Fonte: Link

O Santo Graal no ‘armazém da Arca Perdida’ de Israel

O Governo israelense custodia em armazém mais de um milhão de achados arqueológicos

Entre eles, objetos da época de Jesus

O Santo Graal, o cálice do qual bebeu Jesus na última ceia, provavelmente não era de cristal nem de metal, mas sim de pedra calcária, o material purificador preferido entre os judeus da primeira metade do século I para servir suas refeições. É o que explica em tom professoral Gideon Avni, chefe da divisão arqueológica da Autoridade de Antiguidades de Israel, durante uma incomum visita da imprensa ao lugar mais sagrado de sua pesquisa, que reúne mais de um milhão de restos da antiguidade localizados dentro do país desde seu nascimento, em 1948.

Não se trata de um bunker secreto inexpugnável nem de um recinto fortificado sob a proteção do Tzahal, o poderoso Exército israelense, mas sim de um armazém na cidade de Beit Semesh, no Distrito de Jerusalém. O edifício de aparência anódina esconde um depósito misterioso, cortado por fileiras intermináveis de estantes com sarcófagos e ânforas, além de caixas de madeira das quais emergem capitéis. Uma decoração apropriada para a cena final do primeiro filme da saga cinematográfica de Indiana Jones: o misterioso depósito governamental onde fica oculta, precisamente, a Arca da Aliança.

Junto à taça das primeiras décadas da era cristã se alinham pratos e vasilhas de pedra calcária à vista das câmeras dos jornalistas. Também se vê um pequeno ossário, em que se vê inscrito o nome de Jesus. Em uma tumba judaica similar foi encontrado o calcâneo (osso do calcanhar) de um homem atravessado por um grosso prego de 15 centímetros de comprimento. "Jesus, Maria e José eram nomes hebraicos comuns naquela época", assinala Avni. "Em relação à crucificação, trata-se de um método de execução habitual sob o Império Romano", acrescenta o professor ao lado de uma réplica do tarso perfurado, "embora nestes restos o prego atravesse de forma lateral o osso, e não frontal, como na iconografia clássica".

Uma estudante examina vasilhas no Depósito dos Tesouros Nacionais.

“Pudemos reconstituir como se desenvolvia a vida cotidiana durante o primeiro terço do século I, que coincide com a vida do Jesus segundo a tradição cristã, mas não provar sua existência”, afirma o chefe do serviço de arqueologia israelense. “Havia mais de um milhão de habitantes na região, e é muito difícil identificar os restos de alguém que pode ter vivido há mais de 2.000 anos.”

No Depósito dos Tesouros Nacionais de Beit Semesh − que em um futuro próximo deverá ser transferido para as imediações do Museu de Israel, no centro de Jerusalém −, conservadores e técnicos mostram aos fotógrafos moedas do século VII e cruzes e relicários também da era bizantina. Mostram também um capitel com uma menorá (candelabro de sete braços) gravada nele com credenciais históricas judaicas.

A arqueóloga Annette Landes-Nagar mostra algumas
moedas da época do Império Bizantino.

Este gigantesco armazém arqueológico não pode ser visitado pelo público e só abre suas portas aos pesquisadores. Como em quase todos os aspectos da vida no Oriente Médio, a geopolítica também pesa sobre os restos antigos que estão armazenados. Em suas instalações só se custodiam objetos localizados em território israelense desde sua fundação como Estado, há 69 anos, e em Jerusalém Oriental (ocupada desde 1967 e anexada em 1980).

Os achados procedentes de escavações anteriores se encontram principalmente no Museu Rockefeller, construído sob o Mandato Britânico na zona oriental da Cidade Santa, diante do antigo recinto amuralhado. A conservadora Débora Ben Ami, de origem argentina, assinala que os restos arqueológicos procedentes da Cisjordânia, sob ocupação israelense há quase meio século, são levados por enquanto para um armazém perto do assentamento de Maale Adumin, situado apenas cinco quilômetros a leste de Jerusalém.

O percurso recente de correspondentes estrangeiros em Israel pelas instalações do Depósito dos Tesouros Nacionais foi patrocinado pelo Ministério do Turismo, em uma iniciativa destinada a promover as visitas de peregrinos cristãos à Terra Santa. Um negócio que representou um quinto do total de 2,8 milhões de entradas de viajantes no país em 2015. Nas mesmas datas ocorreu também a apresentação oficial da restauração do templo do Santo Sepulcro, em Jerusalém, uma obra custeada pelas congregações religiosas do local com ajuda das autoridades jordanianas e palestinas, que atraiu a atenção da imprensa internacional.

Um terço dos 40.000 objetos arqueológicos localizados a cada ano em 300 escavações em Israel está relacionado com o cristianismo. No momento, quase todos continuam empacotados em um armazém com ares de filme de Steven Spielberg. Como o cálice de pedra calcária que pode muito bem ter estado nas mãos de Cristo. É a boa nova que pregam os arqueólogos.

Fonte: Link

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